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  Sprint contra o diabetes  
     
 

Um check-up médico - medida essencial, mas nem sempre adotada por quem pretende arriscar as primeiras passadas na corrida - pode ter salvado a vida da representante de vendas Ivanir Souza, 45 anos, há quatro anos.

Foi nos exames que ela descobriu que tem diabete. "No começo me assustei, mas depois me dediquei ainda mais aos treinos e o resultado foi excelente", comemora a corredora, que já acumula alguns feitos marcantes como a conclusão de maratonas e provas de revezamento. "Fiz a Ma ratona de Curitiba em 4h40min. Está ótimo", orgulha-se.

A atleta precisa de uma dieta disciplinada durante a semana para não complicar a diabete. "Como muita fruta, verduras, legumes e evito doces, para não subir a taxa de glicose", explica. A exceção fica para os dias de provas, em que ingere barras energéticas para rápida reposição de açúcar no sangue.

Segundo a Organização Mun dial de Saúde (OMS), em 2004 mais de 171 milhões de pessoas tinham diabete e estima-se que, em 2030, esse número duplique.

A síndrome surge quando o pâncreas não produz insulina suficiente para que a glicose, que será usada como energia pelo organismo, entre nas células. O índice de açúcar no sangue au menta e pode causar problemas visuais, hipertensão, obesidade e de circulação. Este pode levar à perda de sensibilidade nas ex tremidades do corpo, especialmente nos pés. O risco, nesse caso, é que qualquer machucado (interno ou externo) na região demora a ser percebido pelo diabético. Quando se dá conta, já tornou-se uma lesão grave.

Ivanir conta que era comum ficar com os pés inchados em dias quentes. Com a prática da corrida, a partir de 2006, o sintoma diminuiu. Ela dá maior atenção aos alongamentos que um atleta sem a síndrome. "Para diabéticos do tipo 2 [em que a produção de insulina é irregular], o problema nos pés é mais recorrente. É uma população também propensa a problemas cardiovasculares. A atividade física é essencial e só traz benefícios", explica o médico especialista em Medicina do Esporte,Marcelo Leitão.

Atletas que convivem com a diabete do tipo 1 (em que o pâncreas não produz insulina) precisam de mais cuidados, como constantes testes de controle glicêmico e aplicação de insulina.

O analista de sistemas Marcelo Bellon Ferreira, 38 anos, fez desse acompanhamento sua rotina desde os 14, quando descobriu ser diabético. "Você tem de estar atento às novidades da medicina e usá-las a seu favor", aconselha Fer reira, ultramaratonista há três anos. "Diabéticos do tipo 1 devem escolher com cuidado os horários de treino, pois o organismo precisa de tempo para absorver a insulina", alerta Leitão.

O ultramaratonista usa o Sistema de Infusão Contínua (SIC) de insulina para o controle de seu índice glicêmico. Subs tituiu as injeções do hormônio por um aparelho subcutâneo. "Posso dosar a quantidade de insulina de acordo com as minhas atividades. Antes, eu não podia treinar em certos horários por causa da aplicação", lembra. O sistema não saiu barato. Ferreira investiu R$ 13 mil na compra do aparelho e gasta mais de R$ 800 por mês para manutenção.

por Angelo Binder, Gazeta do Povo (http://www2.rpc.com.br/corrida/sprint-contra-a-diabete)

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Cuidados

O corredor iniciante que tem diabete deve dar atenção especial a alguns detalhes antes dos primeiros treinos de corrida. Confira quatro passos essenciais:

1 - Consulte o médico.  O especialista fará exames para saber se existe algum risco de complicação da neuropatia diabética (inflamação nos nervos causada pela síndrome) dos pés e também pedirá teste de esforço para saber qual a intensidade de treino adequado ao atleta.

2 - É indicado que o corredor diabético faça o controle glicêmico mais de dez vezes ao dia, inclusive durante a prática da ativi dade física de longa e média duração. A melhor forma de fazer o controle deve ser indicada pelo médico especialista em endocrinologia.

3 - Usar tênis adequado e confortável para evitar o atrito da meia com a pele.  Esse cuidado evita a formação de bolhas, que podem causar complicações mais sérias ao diabético. O atleta deve, ainda utilizar cremes nos pés regularmente, para prevenir a formação de bolhas e machucados. As extremidades do corpo exigem atenção redobrada do atleta com diabete.

4 - Fazer a hidratação constante, com água ou isotônico e ter sempre à mão alimentos ricos em carboidratos para repor a energia durante os treinos.

Fonte: Emerson Bisan, especialista Treinamento Desportivo de Alto Nível da academia Estatal de Cultura Física de Moscou.

Fonte: www.diabetesedesportes.com.br

 
     
   
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