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As Corridas de Montanha® no Brasil sempre propiciaram uma interação entre o Homem e a Natureza.
Para distinguir o esporte de Corridas de Montanha do montanhismo, alpinismo ou orientação, nós podemos e devemos observar e analisar a filosofia de cada esporte e modalidade.
A filosofia do Montanhismo é baseada no contato a natureza e o desafio inerente a desbravá-la. O fator tempo é importante não só na relação do planejamento, mas também na segurança. Escaladores procuram liberar sua adrenalina, encarando as faces da rocha, procurando novas vias e superando o perigo inerente ao esporte. A necessidade de equipamento técnico (cordas, chapeletas, costuras, mosquetões, cadeirinha, etc.) é imprescindível. É um verdadeiro duelo entre o Homem e a Natureza, num desafio leal, amalgamando-se esses players num conjunto harmonioso.
A filosofia da Orientação é, em síntese, desenvolver o trajeto mais rápido entre dois pontos. A velocidade é importante, entretanto torna-se inútil sem uma planilha e uma bússola, agregada a habilidades e técnicas de orientação geográfica e geodésica. Em algumas competições, a orientação ocorre entre matas e florestas, o seu habitat natural nas montanhas e nos mais variados terrenos. Entretanto, a sua filosofia é ainda distinta daquela das Corridas de Montanha®.
A filosofia do Atletismo, no nosso caso das Corridas de Montanha®, é baseada no fator tempo, de como chegar à linha de chegada, em uma rota definida o mais rápido possível. Este é o objetivo daqueles que participam nas Corridas de Montanha® competitivamente. Os percursos são projetados para eliminar o perigo. Nenhum equipamento é exigido, nem cordas nem bússolas. Os atletas encontram seu desafio em ser o mais rápido que outros competidores. Ou seja, uma competição homem-a-homem. O termo "corredor de montanha", aliado a algum paradigma equivocado sobre "subir montanhas", às vezes afasta ou assusta muitos atletas por mero preconceito desta nobre, dinâmica e variada modalidade. Ou até mesmo por desconhecimento, pois poderiam efetivamente superar os limites do esporte e descobrir uma experiência única no atletismo aliada ao contato direto com a Natureza.
As Corridas de Montanha® consistem em provas de verdadeira resistência e, como em outras corridas de longa distância, de 10 km até uma maratona, exigem tanto resistência quanto velocidade do atleta. Todavia, há outros aspectos a se considerar.
Um destes aspectos é avaliar a dimensão do meio ambiente e da Natureza para haver uma interação com as Corridas de Montanha®, sem nenhum impacto ambiental. Ter uma relação com a Natureza e afeição pelas montanhas e altitudes, aliada o cenário que elas proporcionam, é importante. Já ouviu falar de Sky Running? Porém essa é uma outra história.
Enfim, está cansado de martelar no piche duro das ruas e das estradas? Cansado de ficar dando voltas e voltas, naquele marasmo, num percurso oval de 400 metros em uma pista tradicional de atletismo? Cansado da constante pressão para diminuir seu tempo e aumentar sua performance? Então, a modalidade das Corridas de Montanha® pode ser o seu esporte.
Vejamos o aspecto de onde o nosso atleta mora. Se for no centro de uma metrópole, uma corrida de distância convencional pode ser a opção mais prática. Se você mora em uma região geograficamente plana, o treinamento para as Corridas de Montanha® pode ser difícil. Se você mora próximo a uma região com aclives e declives mais pronunciados, com picos, morros e montanhas, ou visita regularmente locais com essas características de terreno, a geografia do local proporcionará uma adequação melhor aos treinamentos e às provas.
Treinar para ser um corredor de montanha exige o mesmo tipo de treinamento que se faz para qualquer outra prova de resistência, porém com alguns adicionais. Podemos pensar que os atletas de cross country, melhor dizendo cortamato, como se vê comumente em competições de atletismo, destacam-se nas Corridas de Montanha® por causa do desenvolvimento e da ação de determinado grupo muscular e da eficiência cardiovascular.
Entretanto, os diferentes tipos de ação muscular exigem tanto esforço para subidas quanto para descidas, percursos nos quais devem ser incluídos no seu programa de treinamentos. Participar das Corridas de Montanha® sem treinamento adequado e orientação médica seguramente ocasionará lesões das mais variadas, desde uma leve distensão a algo mais sério como rompimento de ligamentos ou fratura da ossatura.
Não apenas os músculos devem estar sincronizados, mas também os reflexos devem estar à flor na pele, alertas para a variação dos terrenos encontrados ao longo do desafio, seja um cascalho, seja uma grande rocha, seja um buraco, seja um grande lamaçal. Subir uma montanha baseado única e exclusivamente nos treinos dedicados a corridas no plano, em breve frustrarão seus desejos de velocidade.
No asfalto ou na pista, apenas aqueles atletas com alto desempenho por excelência são capazes estar nas primeiras posições, o que significa que, para 10 quilômetros, um tempo perto dos trinta minutos é algo dentro do padrão, ou 2h20' para uma maratona no masculino, assim proporcionalmente para as mulheres.
Para aqueles que se detêm apenas na performance e alto rendimento, as Corridas de Montanha® têm pouco a oferecer. Seus tempos apenas podem ser mensurados em função do seu desempenho e de outros atletas. Sua performance é tão-somente aferida em um trajeto específico e único. A recompensa é a alegria de correr pela Natureza. Não há recordes nas Corridas de Montanha®. Porém, pode se considerar o registro dos melhores tempos para algumas provas com percurso já pré-estabelecido em edições anteriores.
Existem alguns exemplos recentes de atletas que se converteram com êxito das corridas de rua, estrada e pista para as Corridas de Montanha®: Odilon de Jesus Leandro, José Virgínio de Morais, Reginaldo Pereira da Silva, Itamar Augusto Goés, Daiane Aguiar Barros, Luzia Aluísio Mesquita, Elinéia Ferreira de Aquino, dentre vários outros.
Um equívoco comum ainda também cerca o termo "Corridas de Montanha": às vezes podem ocorrer pensamentos irrefletidos em ter como paradigmas o Himalaia, o Aconcágua, o K2, ou outros cumes. Na verdade, existem testes e provas de adaptação para as Corridas de Montanha® em locais com altitude relativa ou desnível altimétrico não superior a 700 metros. De outro lado, há sempre a questão e o desafio de se estabelecer a diferença entre a corrida cortamato (cross country) e as Corridas de Montanha®. Esta diferença tem sido contrariada porque a fronteira entre os dois é equivocadamente desfocada. O que se pode afirmar é que as Corridas de Montanha® envolvem uma quantidade considerável, muito considerável, de subidas e descidas, aclives e declives acentuados, chamados de desnível acumulado, muito superiores ao que seria contemplada por uma corrida cortamato. A IAAF aplica para as Corridas de Montanha a regra 250.10.
Existem nas Corridas de Montanha® algumas regras básicas sobre distâncias, montantes de aclives/declives e sobre os desníveis acumulados que regem os percursos dos campeonatos e das provas. Essas regras existem para que as Corridas de Montanha® se adequem às possibilidades do atleta e à sua habilidade para superar esses desafios.
Então por que não dar uma escapada da insanidade da "Babilônia" das grandes metrópoles, do trânsito infernal e da loucura do dia-a-dia e procurar uma prova nas montanhas? Ou mesmo um treino com os amigos que já foram inoculados com o veneno das montanhas e veja o quanto vai mudar a sua qualidade de vida.
A Natureza e as Montanhas agradecem.
Autor: Pedro Abe Miyahira Fonte: www.corridademontanha.com.br
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