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Mede apenas 1,47 m., (comenta com certo orgulho), mas dispõe de uma grande vitalidade. Com sua mochila nas costas, seu jeito rápido de andar mostra sua boa forma. Aos 57 anos, a brasileira Katia Esteves está realizando seu décimo "Caminho de Santiago". "Tenho 22.000 km caminhados a pé pelo mundo", explica com um grande sorriso, enquanto descansa um pouco em "El Puntido de Hontanas" (Burgos), em frente a igreja.
Sentada ao meio-dia, aproveitando os raios do sol de um dos poucos dias com tempo bom que encontrou desde o dia 23 de fevereiro, quando saiu de Jaca (Huesca), está acompanhada de uma bengala e de boas conversas com peregrinos de vários países. Um espanhol, uma húngara, uma irlandesa e um inglês são seus companheiros temporários de viagem, porque Katia tem que, naturalmente, fazer o caminho sozinha.
Adornada com um enorme óculos de sol que tapam quase metade de seu rosto e com a cabeça coberta com uma bandana com a bandeira do Brasil, relata sua história sem perder o bom humor, mesmo que a primeira fase da caminhada não tenha sido nada fácil: "Fui uma suicida, logo descobri que sou mais importante ajudando outras pessoas", explica.
A brasileira destaca que durante muitos anos trabalhou como auditora sênior e logo depois como diretora financeira de uma empresa de médio porte, que fechou de repente e a deixou desempregada aos 40 anos. Ali começou sua particular descida ao inferno, em busca de um novo emprego que nunca chegava, distanciou-se pouco a pouco de sua família e do restante da sociedade, até que caiu em uma depressão profunda.
Após buscar várias vezes apoio médico e psicológico, um dia caiu em si e refletiu que tinha que sair desse estado por conta própria, andando, e decidiu então fazer o Caminho de Santiago. Era 1998 quando percorreu pela primeira vez todo o Caminho Francês até chegar a Finisterre. Garante que essa experiência a fez renascer "grande" e desde então se dedica a ajudar a outras pessoas com problemas, além de seguir caminhando.
Nesses doze anos, fez por várias vezes o Caminho Francês, além do Português, o Primitivo e o Aragonés, assim como vários trajetos espirituais brasileiros, e também peregrinou por Lourdes (França) e Fátima (Portugal). Aliás, ficou várias vezes por algumas semanas como voluntária no albergue Ave Fênix de Villafranca del Bierzo (León), ajudando a Jesús Arias Jato.
Esse ano, ela saiu de Jaca pelo Caminho Aragonés com o objetivo de chegar a Santiago de Compostela e logo a Finisterre e a Muxia, na costa corunhesa. Depois irá a Lourdes. Katia calcula que, no total, serão '60 dias de caminho e 1.400 km a pé". Incansável, quando ainda lhe falta mais da metade do trajeto, já começa a planejar novas rotas, como realizar a dos 88 templos de Sukoku, no Japão.
"Eu sou budista e para mim o Caminho é interior, é uma forma de encontrar-me comigo mesma", afirma a brasileira, que acrescenta que fazer uma peregrinação a pé significa renunciar o conforto do dia a dia e superar os limites do próprio corpo. Todas as experiências que acumulou podem ser vistos no site www.momentounico.com e também as expõe em palestras que oferece no Brasil, as quais nelas orienta os turistas brasileiros que querem fazer o Caminho, mas sobretudo tenta ajudar pessoas com problemas.
"Nessas palestras você conhece muitas pessoas que estão doentes da alma", explica Katia, que trata de devolver-lhes a esperança perdida e os ensina a ter a serenidade necessária para desfrutar suas vidas. "No na passado recomendei a muitas pessoas com problemas que fizessem o Caminho de Santiago", comenta, certa dos benefícios da peregrinação.
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